Entrou no botequim como se fosse um pássaro
Pediu um “mé” que fosse bem mais aromático
Ergueu a aguardente como se fosse um lábaro
Os breves goles só lhe deixaram mais trêmulo
Bebeu a aguardente como se fosse o último
Gole de anis, licor de hortelã ou de pêssego
Olhava pra uma senhora se achando o máximo
Piscava e paquerava em gestos nada lógicos
Queria ainda que o tratassem como o único
Cliente, porque se dizia muito assíduo
Foi posto para fora e ficou estático
Lançou depoimentos altamente apócrifos
Gritou, esbravejou e tropeçou nas sílabas
Falou muita besteira sem nenhum escrúpulo
Perdeu todo seu respeito feito um decrépito
E atravessou a rua extremamente bêbado
Sentou no meio-fio e debulhou-se em lágrimas
Morreu anos depois com problemas no fígado.
EU SÓ FARIA LAVA-PÉS EM PÉS DE GALINHA
Há 4 horas
2 comentários:
Este é ótimo! acho mto divertido.
Olá Paulo Henrique,
Gostei deste "Desconstrução". Faz lembrar a bela música do Chico Buarque.
Abraços
Postar um comentário